quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Tratando as emoções que interferem no físico



As essências florais contêm energia de alta potência vibratória, de pura luz, extraída de certas flores. Ajudam no desenvolvimento da consciência humana, harmonizam os campos mentais e emocionais e efetuam a conexão com o Eu Superior, a consciência maior. As essências florais induzem ao autoconhecimento, e somente por meio dele é que a consciência humana se transforma e se eleva.
A energia contida nas essências florais tem o poder de elevar a vibração dos elétrons que estruturam os campos físico e suprafísico (mental, emocional e etéreo). As altas energias/luz presentes nas flores transmutam as energias estagnadas nos elétrons devido a posturas mentais ou emocionais negativas. Nesses níveis mais sutis, as essências florais ajudam a desenvolver a percepção de atitudes e de emoções errôneas, tornando a vida mais fácil de ser vivida, com harmonia e equilíbrio. Despertam dons adormecidos, a criatividade, o interesse pelo novo e a percepção do sentido da própria vida. Apontam a nova direção a seguir.
Através do uso das flores divinamente energizadas, as pessoas passam a assumir a responsabilidade sobre seus próprios problemas, doenças e vida. Na terapia floral, a cristalização do bloqueio energético no físico, que é caracterizada como doença, é vista como oportunidade para o indivíduo se conscientizar do erro em que a sua personalidade está incorrendo.


Origem das essências florais

O Dr. Edward Bach (1886-1936), médico inglês, foi o descobridor e precursor do uso da modalidade terapêutica das essências florais, que atua equilibrando os campos energéticos sutis do ser humano, transmutando em compreensão, harmonia e proteção os bloqueios energéticos negativos que causam o sofrimento.
O Dr. Bach constatou que o desequilíbrio mental e emocional gera desordens no campo físico, chamadas de doenças. A doença física é o estágio final de um estado energético em desequilíbrio no campo das emoções (mágoa, raiva, ódio, depressão, pânico, medo, obsessão etc.) e da mente (estresse, preocupação, pensamentos destrutivos, manipulação mental, sadismo, negativismo etc.).
          “A doença serve para nos fazer parar de praticar ações erradas; é o método mais eficaz para harmonizar nossa personalidade com nossa alma. (...) Deveríamos aprender nossas lições no plano mental, salvando-nos do sofrimento físico, mas muitos não conseguem. E assim a doença é enviada para nos trazer ao caminho da compreensão”, afirmou o Dr. Edward Bach.
A terapia floral, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde em 1956, não tem contraindicação e pode ser usada como complemento a qualquer outra terapia.

(Adaptação de texto de Neide Margonari, sintonizadora dos Florais de Saint Germain.)


sábado, 25 de junho de 2011

Células felizes




Deepak Chopra



          Somos as únicas criaturas na face da terra capazes de mudar a nossa biologia pelo que pensamos e sentimos. Nossas células estão constantemente bisbilhotando os nossos pensamentos e sendo modificadas por eles. Um surto de depressão pode arrasar o seu sistema imunológico, apaixonar-se, ao contrário, pode fortificá-lo tremendamente.
A alegria e a realização nos mantêm saudáveis e prolongam a vida. A recordação de uma situação estressante, que não passa de um fio de pensamento, libera o mesmo fluxo de hormônios destrutivos que o estresse.
Suas células estão constantemente processando as experiências e metabolizando-as de acordo com os pontos de vista pessoais. Não se pode simplesmente captar dados brutos e carimbá-los com um julgamento, você se transforma na interpretação quando a internaliza.
Quem está deprimido por causa da perda de um emprego projeta tristeza por todas as partes do corpo — a produção de neurotransmissores por parte do cérebro reduz-se, o nível de hormônios baixa, o ciclo de sono é interrompido, os receptores neuropeptídicos na superfície externa das células tornam-se distorcidos, as plaquetas sanguíneas ficam mais viscosas e mais propensas a formar grumos, até suas lágrimas contêm traços químicos diferentes das lágrimas de alegria.
Todo este perfil bioquímico será drasticamente alterado quando encontrarmos uma nova posição. Isso reforça a grande necessidade de usar a nossa consciência para criar os corpos e a condição de saúde que realmente desejamos.
A ansiedade por conta de um exame acaba passando, assim como a depressão por uma dor ou por um emprego perdido. O processo de envelhecimento, contudo, tem que ser combatido a cada dia. Shakespeare não estava sendo metafórico quando Próspero disse: “Nós somos feitos da mesma matéria dos sonhos”.
Você quer saber como está seu corpo hoje? Lembre-se do que pensou ontem. Quer saber como estará o seu corpo amanhã? Olhe seus pensamentos hoje.

domingo, 12 de junho de 2011

Nada te perturbe







Oração de Santa Teresa D´Ávila

Nada te perturbe
Nada te espante
Tudo passa,
Só Deus não muda.
A paciência
Tudo alcança
Quem tem a Deus,
Nada lhe falta.
Só Deus basta.



Nada te turbe

Música: J. Berthier
Letra: Sta. Teresa de Ávila

Nada te turbe
Nada te espante
Quien a Dios tiene
Nada le falta
Nada te turbe
Nada te espante
Todo se pasa, Dios no se muda,
La paciencia todo lo alcanza.
Sólo Dios basta.

En Cristo mi confianza,
y de Él solo mi asimiento;
en sus cansancios mi aliento,
y en su imitación mi holganza.

Aquí estriba mi firmeza,
aquí mi seguridad,
la prueba de mi verdad,
la muestra de mi firmeza.

Ya no durmáis, no durmáis,
pues que no hay paz en la tierra.

No haya ningún cobarde,
aventuremos la vida.
No hay que temer, no durmáis,
aventuremos la vida.




sábado, 4 de junho de 2011

É razoável pensar nisto




A paciência não é um vitral gracioso para as suas horas de lazer. É amparo destinado aos obstáculos.
A serenidade não é jardim para os seus dias dourados. É suprimento de paz para as decepções de seu caminho.
A calma não é harmonioso violino para as suas conversações agradáveis. É valor substancial para os seus entendimentos difíceis.
A tolerância não é saboroso vinho para os seus minutos de camaradagem. É porta valiosa para que você demonstre boa vontade, ante os companheiros menos evolvidos.
A boa cooperação não é processo fácil de receber concurso alheio. É o meio de você ajudar ao companheiro que necessita.
A confiança não é um néctar para as suas noites de prata. É refugio certo para as ocasiões de tormenta.
O otimismo não constitui poltrona preguiçosa para os seus crepúsculos de anil. É manancial de forças para os seus dias de luta.
A resistência não é adorno verbalista. É sustento de sua fé.
A esperança não é genuflexório de simples contemplação. É energia para as realizações elevadas que competem ao seu espírito.
Virtude não é flor ornamental. É fruto abençoado do esforço próprio que você deve usar e engrandecer no momento oportuno.

“Agenda Cristã”, Francisco Cândido Xavier, pelo espírito André Luiz

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Hora de Luz


Emmanuel

Quando tudo te pareça frustração e impedimento;

no instante em que a solidão te obrigue a pensar e repensar;

em observando os recursos necessários à própria subsistência cada vez mais distantes;

no momento em que os melhores amigos te considerem incapaz para o serviço a fazer;

na travessia de graves desgostos;

nas épocas de crise, quando a provação te procure para demoradas visitas;

ouvindo os pregoeiros do pessimismo e do desalento;

diante das ocorrências complicadas e dolorosas, quando o desânimo te ameace;

ou na ocasião em que todas as circunstâncias surjam conjugadas como que favorecendo a ignorância e o desequilíbrio;

guarda a certeza de que estás atingindo a hora de luz em que desfrutas a oportunidade de revelar a força de tua fé e o ensejo bendito em que podes, com a bênção de Deus, esquecer o mal e fazer o bem.

(Texto do livro Algo Mais, psicografia de Francisco Cândido Xavier)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Tome uma atitude saudável



No âmago da nossa mente carregamos o sentido e a memória de um estado de saúde perfeito e vital. Tomar uma atitude saudável implica não esquecer que somos vitalizados por um poder eletromagnético interior que nos vivifica, a todo instante, com amor e luz divina. O estado pleno de saúde se manifesta quando optamos por atender amorosa e cuidadosamente às necessidades do corpo, das emoções e da mente em sintonia com a vontade da nossa Alma. Quando fazemos isso por nós mesmos, aprendemos a fazê-lo também pelo Planeta-casa onde vivemos e que é a fonte nutridora da nossa existência.

Tome uma atitude agradecida

Se elevarmos a nossa atenção para um ponto de maior abrangência, ficaremos imediatamente conscientes do quanto temos a agradecer. A Natureza se doa abundantemente através do ar que respiramos, da água que bebemos, de todos os seres minerais e vegetais que se oferecem para a nossa nutrição e bem-estar. Também perceberemos a rede de pessoas que trabalham anonimamente para que tenhamos conforto e facilidades no dia a dia. A atitude agradecida nos conecta com a graça divina e, se com ela começarmos o dia, estaremos conscientes das infinitas dádivas que a vida nos dá.

Pratique o perdão. Sem o perdão não há cura. É como se estivéssemos acorrentados à pessoa ou situação que precisamos perdoar. O perdão libera as correntes.

Pratique a presença da Alma. Crie um Templo de Luz interior na sua meditação e transforme-o em local de cura pessoal e planetária.

Deixe que os Anjos participem da sua vida. Invoque a presença angélica e torne a sua vida mais leve e bem-humorada.

(Fonte: O Livro das Atitudes, Sônia Café e Neide Innecco, Ed. Pensamento, São Paulo, 1992)

domingo, 21 de novembro de 2010

Acalme meu passo, Senhor


Acalme meu passo, Senhor.

Desacelere as batidas do meu coração, acalmando minha mente.

Diminua meu ritmo apressado com uma visão da eternidade do tempo.

Em meio às confusões do dia, dê-me a tranquilidade das montanhas.

Retire a tensão dos meus músculos e nervos com a música tranquilizante dos rios de águas constantes que vivem em minhas lembranças.

Ajude-me a conhecer o poder mágico e reparador do sono.

Ensina-me a arte de tirar pequenas férias, reduzir meu ritmo para contemplar uma flor, papear com um amigo, afagar uma criança, ler um poema, ouvir minha música preferida.

Acalme meu passo, Senhor... para que eu possa perceber no meio do incessante labor cotidiano dos ruídos, lutas, alegrias, cansaços ou desalentos, a Tua presença constante no meu coração.

Acalme meu passo, Senhor... para que eu possa entoar o cântico da esperança, sorrir para o meu próximo e calar-me para escutar Tua voz.

Acalme meu passo, Senhor... e inspire-me a enterrar minhas raízes no solo dos valores duradouros da vida, para que eu possa crescer até as estrelas do meu destino maior.

Obrigada, Senhor, pelo dia de hoje, pela família que me destes, pelo meu trabalho, pelos meus amigos e, sobretudo, pela Tua presença em minha vida.

domingo, 7 de novembro de 2010

Sutra Sagrada



Reconcilia-te com todas as coisas do céu e da terra.

Quando se efetivar a reconciliação com todas as coisas do céu e da terra, tudo será teu amigo.

Quando todo o Universo se tornar teu amigo, coisa alguma do universo poderá causar-te dano.

Se és ferido por algo ou se és atingido por micróbios ou por espíritos baixos, é prova de que não estás reconciliado com todas as coisas do céu e da terra.

Reflexiona e reconcilia-te.

Esta é a razão porque te ensinei, outrora, que era necessário te reconciliares com teus irmãos antes de trazeres oferenda ao altar.

Dentre os teus irmãos, os mais importantes são teus pais.

Mesmo que agradeças a Deus, se não consegues agradecer a teus pais, não estarás em conformidade com a vontade de Deus.

Reconcilia-te com todas as coisas do Universo.

A reconciliação verdadeira não é obtida nem pela tolerância nem pela condescendência mútua. Ser tolerante ou ser condescendente não significa estar em harmonia do fundo do coração. A reconciliação verdadeira será consolidada quando houver recíproco agradecer.

Mesmo que agradeça a Deus, aquele que não agradece a todas as coisas do céu e da terra não consolida a reconciliação com todas as coisas do céu e da terra.

Não havendo a reconciliação com todas as coisas do Universo, mesmo que Deus queira te auxiliar, as vibrações mentais de discórdia não te permitem captar as ondas da salvação de Deus.

Agradece à Pátria.

Agradece a teu pai e a tua mãe.

Agradece a teu marido ou a tua mulher.

Agradece a teus filhos.

Agradece a teus criados.

Agradece a todas as pessoas.

Agradece a todas as coisas do céu e da terra.

Somente dentro desse sentimento de gratidão é que poderás ver-Me e receber a Minha salvação. Como sou o Todo de tudo, estarei somente dentro daquele que estiver reconciliado com todas as coisas do céu e da terra.

Se queres chamar-Me, reconcilia-te com todas as coisas do céu e da terra e chama por Mim, porque sou Amor.

Ao te reconciliares com todas as coisas do céu e da terra, aí, então, Me revelarei.


(Revelação Divina da noite de 27.09.1931)

Excerto do livro "Sutras Sagradas", de Masaharu Taniguchi, Ed. Seicho-No-Ie.

domingo, 2 de maio de 2010

A arte contra a doença


O ator Paulo José — protagonista do filme Quincas Berro D’Água, que estreia em maio, e personagem da peça Um Navio no Espaço ou Ana Cristina Cesar — enfrenta o Parkinson há 17 anos. Embora ele aborde o assunto de maneira bem-humorada, a doença lhe impõe uma dura rotina de exercícios e terapias, faz com que tome remédios seis vezes ao dia e exige que se reinvente profissionalmente.

Por Armando Antenore

Qualquer observador atento perceberá que existem duas espécies de colecionadores no mundo: os convictos e os acidentais. Os primeiros acumulam coisas voluntariamente, com método e perseverança. Os outros apenas cedem à vontade dos objetos, que parecem se agrupar por decisão própria. Paulo José Gómez de Souza é um colecionador acidental de chapéus. Possui diversos, que se espalham anarquicamente pela casa ampla e agradável onde mora, no Alto da Gávea, um dos bairros mais nobres da zona sul carioca. O ator não consegue precisar como os intrusos brotaram por lá. Mesmo assim, tolera a presença deles e os usa com relativa constância.

Naquela manhã de fevereiro, às vésperas do Carnaval, trajava-se de maneira ambígua quando nos atendeu em um salão arejado da casa. A bermuda simples, a camiseta lisa e as sandálias Birkenstock, bastante gastas, lhe conferiam um aspecto corriqueiro. No entanto, o chapéu-coco preto que ostentava sobre a cabeça o deixava caricato e excêntrico, à semelhança de um Carlitos tropical. Conversa vai, conversa vem, Paulo José se afastou ligeiro do salão e retornou com um chapéu diferente, amarronzado.

— Como se chama?, perguntei, enquanto apontava o acessório.

— Chama-se cha-péu, respondeu o ator, destacando as sílabas.

— Não, não. Quero saber de que tipo é. Chapéu de dois bicos, chapéu-chile, chapéu borsalino...

— Ah, claro. É do tipo velho. Chapéu velho.

Quem conhece o artista de perto logo se habitua com tiradas do gênero. Ele as solta de repente, em ocasiões que prenunciam tudo, menos um gracejo. São troças invariavelmente concisas, ora tolas, meio infantis, ora sofisticadas, eruditas. O ator sempre as dispara sem abandonar a fleuma — conserva-se aprumado e imperturbável como um duque. No máximo, esboça um leve sorriso, de tal modo que o interlocutor às vezes duvida se está realmente ouvindo uma gozação.

— Você faz análise, Paulo?

— Não, agora faço síntese...

Com 73 anos de idade e 61 de carreira, o gaúcho de Lavras do Sul, descendente de espanhóis e portugueses, enfrenta há 17 o Parkinson, doença crônica, progressiva, degenerativa e incurável que afeta o sistema nervoso central. O distúrbio, apesar de grave, nunca lhe roubou o viés espirituoso. Pelo contrário: o ator gosta de ridicularizá-lo em público. Costumava declarar, por exemplo, que vive num “Parkinson de diversões”. “Sou quase um bobo alegre”, define-se. “Ganhei da natureza — ou dos deuses, da sorte, do caos — bem mais do que imaginava. Exerço uma profissão maravilhosa, gozo de boas condições financeiras e construí uma família bacana. Não posso reclamar de nada, compreende? Por isso, procuro disseminar a ideia de que, mesmo com a saúde frágil, toco o barco e preservo o alto astral. Só que me arrependi daquela história de 'Parkinson de diversões'. Acho que escolhi mal a expressão. Perdi o timing da piada...”

Em razão da brincadeira, uma parte da mídia começou a alardear que Paulo “tira a doença de letra” — clichê reforçado pelo fato de que o artista continua muitíssimo produtivo, sem se acomodar às glórias passadas. Seja como ator, seja como diretor, ele participou de momentos importantes da dramaturgia brasileira. Integrou o revolucionário Teatro de Arena durante a década de 1960, protagonizou filmes tão memoráveis quanto O Padre e a Moça, Todas as Mulheres do Mundo e Macunaíma, incorporou personagens de peso em inúmeras telenovelas (o alcoólatra Orestes, de Por Amor, figura entre os mais notórios) e implantou o inovador programa Você Decide na Rede Globo.

Já teria, portanto, motivos de sobra para sossegar. Mas não sossega: brevemente, irá inaugurar a turnê nacional de Um Navio no Espaço ou Ana Cristina Cesar, peça em que assina a direção e interpreta a si próprio. Quando passou pelo Oi Futuro Ipanema, centro cultural do Rio de Janeiro, o espetáculo arrancou elogios dos críticos, incluindo a rigorosa Barbara Heliodora (“deleitável”, “encantador”, “ótimo”). Igualmente em maio, Paulo aparecerá na adaptação cinematográfica do romance A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água, escrito por Jorge Amado. O baiano Sérgio Machado dirigiu o longa. Não bastasse, desde o início de março, o ator frequenta o set do filme O Palhaço, em que assume dois papéis, desta vez sob a batuta de Selton Mello.

“Pouco depois de criar o termo 'Parkinson de diversões', recebi o e-mail de uma senhora”, conta Paulo. “Ela é mulher de um portador do distúrbio, se não me engano, e mandou um recado gentil, ainda que categórico — algo na linha: 'Você não devia zombar de um problema tão sério. Reflita melhor. O Parkinson não diverte ninguém'. Aquilo me alertou. Pensei nos milhares de pacientes que não dispõem de grana para se cuidar direito. Um negócio cruel... Lógico que não desejo me queixar ou posar de coitadinho. Mas, por outro lado, não convém fingir que se trata de um mar de rosas.”

O Parkinson, na verdade, requer do ator uma rotina pesada de exercícios e terapias, lhe restringe a dieta e obriga que tome remédios com uma assiduidade enlouquecedora. Impôs, ainda, que fizesse uma cirurgia delicada em 2007. Graças à operação, o artista introduziu uma espécie de marca-passo no cérebro. “Fiquei biônico, cara.” A doença também exige que se reinvente como intérprete e já lhe causou transtornos profissionais constrangedores.

A atriz Ana Kutner, segunda dos quatro filhos de Paulo, recorre à linguagem teatral para descrever a situação do pai, com quem divide o palco em Um Navio no Espaço: “Não é drama. É tragédia. O drama pede a adjetivação, o juízo de valor. A tragédia reivindica justo o oposto. Por se revelar inexorável, dispensa os adjetivos e se torna mais substantiva. As coisas, no âmbito trágico, simplesmente são. Não há heróis ou bandidos, não há vítimas ou culpados. Há apenas o ser humano e o livre-arbítrio, o homem diante da premência de resolver como lidar com um obstáculo muito concreto e irreversível que lhe atravessou o caminho.”

MÃOS VOADORAS

Identificado em 1817 por um médico britânico, James Parkinson, o distúrbio que acomete o ator se caracteriza pela degradação de neurônios localizados numa área diminuta do cérebro. A região, batizada de substância nigra, mede somente 20 mm2. Ali se encontram cerca de 100 mil neurônios (no total, temos 86 bilhões). A atrofia daquelas células coíbe drasticamente a produção de um neurotransmissor, a dopamina, molécula que transporta impulsos ao longo do sistema nervoso central. E a falta de dopamina provoca vários sintomas motores: rigidez da musculatura de todo o corpo, lentidão dos gestos, perda dos movimentos automáticos, tremedeira.

Com um olho na ciência e outro na galhofa, Paulo relata o que acontece: “Primeiro, o cidadão queima a mufa, a cachola. Bate os pinos. Puf! Em seguida, vai se convertendo num camarada vagaroso e atabalhoado. Desequilibra-se, tropeça à toa, derruba as tralhas pelos cantos, suja a roupa quando está comendo manga, sente um grande embaraço para realizar atividades pequeninas, que exigem precisão — digitar, meter a linha dentro da agulha, abotoar camisas. Também se vê incapaz de ações espontâneas. Qualquer uma delas, erguer o braço à procura de livros ou discos, levantar o pé numa escada, cruzar as pernas, depende de um pensamento, de uma mensagem consciente, mesmo que rápida. ‘Agora vou subir um degrau, agora vou me espreguiçar, agora vou saltar da cama.’ Tudo pressupõe algum tipo de cálculo”. Às dificuldades motoras, se juntam a insônia, a diminuição da memória imediata (“cadê a chave que acabei de pegar?”), a prisão de ventre e a urgência miccional (“uma sensação irritante — e falsa — de que é necessário urinar”).

A medicina desconhece até hoje as causas exatas do Parkinson, que atinge entre 1% e 2% da população mundial acima dos 65 anos, excetuando os habitantes da África negra, onde a taxa se mostra inferior. Sabe-se apenas que fatores genéticos ou ambientais, como a contaminação pelo manganês, podem despertá-lo. Para arrefecer a fúria da doença, os neurologistas receitam uma série de medicamentos. O principal é a levodopa, que se transforma em dopamina no organismo. Ocorre que, com o tempo, as drogas geram efeitos colaterais perturbadores: alucinações, fobias e a eclosão de movimentos involuntários. “O sujeito vira um boneco amalucado”, compara Paulo. “As mãos voam, o pescoço gira e o tronco balança à revelia do dono.”

Em maio de 2007, o ator amargou um episódio desconcertante por conta dos movimentos involuntários. Preparava-se para uma entrevista no programa Roda Viva, da TV Cultura, e não achava jeito de aplacar a ansiedade. Receava que os sintomas do Parkinson, especialmente a tremedeira, surgissem em rede nacional. Na esperança de domá-los, ingeriu uma dose extra de levodopa. Foi pior. Enquanto o artista respondia as questões dos entrevistadores, os efeitos adversos do remédio o assaltaram e os gestos descontrolados explodiram. Paulo sentou-se sobre as mãos voadoras para tentar conter a tormenta. Não funcionou: o resto do corpo teimava em desacatá-lo. “Me chateei demais com aquilo...”

Caso os efeitos hostis das medicações recrudesçam a ponto de o doente já não os suportar, há a possibilidade de um recurso extremo — justamente o que o ator adotou em 2007, poucos meses após o Roda Viva. “Ele pôs um estimulador cerebral profundo”, afirma o neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, que o operou. O aparelho, como os marca-passos cardíacos, se compõe de uma bateria que emite sinais elétricos e que se conecta com um fio bem delgado. Em uma intervenção de cinco horas, instala-se o conjunto no paciente. “Levamos o fio para dentro do cérebro através de um discreto orifício craniano e o ligamos às zonas responsáveis pelos sintomas do Parkinson. Depois, acomodamos a bateria sob a pele, no tórax, abaixo da clavícula. Os sinais elétricos chegarão, assim, às áreas onde o fio se aloja e irão reprimir o desempenho delas, atenuando os sintomas.” Em decorrência, o doente vai reduzir a dosagem dos remédios, o que abrandará os efeitos colaterais.

O preço da cirurgia é alto: somente o estimulador custa R$ 100 mil. Por classificar a operação de experimental, o governo não cobre os gastos. Os convênios de saúde, com raras exceções, seguem trilha idêntica. “O doutor Niemeyer e a Globo, generosíssimos, assumiram as minhas despesas”, confidencia o artista, empregado da emissora desde 1969. Ele inseriu o equipamento no lado esquerdo do cérebro e pretende colocar outro no lado direito.

BUFÕES

Dezessete anos atrás, mal escutou o diagnóstico da doença, Paulo julgou que logo teria de se afastar definitivamente da profissão. No entanto, à medida que esquadrinhava as próprias mazelas, descobriu um fenômeno incrível: em cena, o distúrbio se revela bastante contornável. “O Parkinson desencadeia hiatos entre o pensamento e a palavra”, explica o artista. “No cotidiano, tais brancos linguísticos e apagões da memória imediata se manifestam sempre que me flagro em situações inesperadas. Só que, quando atuo, quase não me defronto com imprevistos, uma vez que ensaio obsessivamente os diálogos. Entende a mágica? Dentro do set ou do teatro, me distancio dos lapsos verbais e fico menos parkinsoniano. Do mesmo modo, a perda dos movimentos automáticos que a doença acarreta praticamente desaparece no palco. Afinal, lá também existem poucas atitudes espontâneas. A maioria das ações obedece à marcação do diretor.”

Um punhado de artimanhas contribui para que o ator iniba ainda mais o Parkinson diante das plateias. Por exemplo: sob os holofotes, geralmente busca um ponto de apoio, uma superfície em que possa repousar os braços ou se encostar. Com um truque tão banal, alivia a rigidez da musculatura e ganha equilíbrio. Se uma das mãos sobe sem rédeas rumo à cabeça, Paulo trata de completar o gesto e coça o nariz ou a orelha. Assim, o ato que nasceu involuntário se torna voluntário. Outra precaução é não encarar papéis de tons prioritariamente realistas. “A movimentação de um parkinsoniano combina melhor com personagens estranhos, bizarros, que rejeitem o naturalismo — bufões, doidos, bêbados.”

PLÁCIDO DOMINGO

Como um guru de autoajuda às avessas, o artista apregoa que não adianta planejar nada porque tudo vai dar errado. “Tudo, absolutamente tudo! O universo não se curva às nossas vontades...” Por ironia, o mantra niilista destoa da rígida disciplina que Paulo exibe no combate à doença. A cirurgia de 2007 lhe proporcionou benefícios inegáveis, mas não o livrou de um tratamento dispendioso e árduo.

Seis vezes por dia, de três em três horas, o ator lança mão de um coquetel que associa até cinco drogas diferentes. Começa o ritual às oito da manhã e só o interrompe às onze da noite. Toma a primeira dose em jejum e precisa ingerir as demais uma hora antes ou uma hora depois de se alimentar. As refeições, porém, devem conter baixa quantidade de proteína. Do contrário, interferem na eficácia dos medicamentos. O consumo desregulado de álcool ocasiona o mesmo dano.

Absorvido por incontáveis atribuições, Paulo não conseguia gerenciar demandas tão espartanas. “Notei os percalços dele e resolvi colaborar”, recorda Mírian Cavour, única funcionária da Malagueta, empresa que administra os projetos do artista. “Já que trabalhamos frequentemente juntos, indaguei se podia supervisionar os horários dos remédios.” De início, o ator hesitou: não queria sobrecarregar Mírian. Mas, com o passar dos meses, acabou concordando. “Banco o anjo da guarda numa boa”, garante a funcionária. “O Paulo merece.” Quando não está por perto, Mírian delega os cuidados para terceiros, de maneira que sempre haja alguém vigiando o relógio.

Todas as semanas, na casa do Alto da Gávea, o artista faz uma ou duas sessões de fisioterapia e três ou quatro de ginástica. A meta é restabelecer a flexibilidade, o equilíbrio e a força muscular que o Parkinson arrebata. “Buscamos ainda suavizar as dores trazidas pelo excesso de movimentos involuntários, que desgastou as articulações e tendões do ombro direito de Paulo”, esclarece a fisioterapeuta Mariana Pereira Santos.

Fã de Sigmund Freud, o ator se submeteu à psicanálise durante 12 anos. “Visto a camisa do barbudinho sem grilo nenhum”, confessa, irônico, após sacar do armário uma t-shirt com a foto do médico austríaco. Sob o retrato, um aviso: I know what you think (Eu sei o que você pensa). De uns tempos para cá, entretanto, o artista substituiu o divã pela bioenergética, corrente que une a abordagem verbal psicanalítica às técnicas corporais desenvolvidas por Wilhelm Reich. “A doença me enfraquece muito emocionalmente”, lamenta. “Fico hipersuscetível às notícias ruins, às besteirinhas cotidianas. Basta uma fagulha e pronto: me transformo num menino desprotegido.” A bioenergética lhe oferece alternativas para driblar as oscilações de humor. “Meu terapeuta também bate na tecla de que necessito ser o mais independente possível. Recomenda que não me entregue às limitações motoras, que não deixe de realizar coisas básicas sozinho. ‘Evite pedir auxílio para se trocar, ande sem se escorar em ninguém, não desista da ginástica’, ordena.”

A maratona semanal de Paulo no Alto da Gávea inclui outras duas aulas de voz, ministradas por Célio Rentroya, que já preparou o elenco de peças como A Alma Imoral, com Clarice Niskier. “O Parkinson compromete severamente o aparelho fonador. Endurece os músculos da laringe, da boca, da face e da caixa respiratória, além de alterar a percepção que o paciente tem da própria dicção”, enumera o professor. Em consequência, a potência vocal diminui, o ritmo da fala acelera e o rosto se torna apático, sem mobilidade. Dispensável realçar o quanto tais prejuízos sabotam o trabalho de quem vive do palco.

Os exercícios orais que o ator repete sob os arpejos de um piano ou num estúdio caseiro de som objetivam não apenas alongar, relaxar e fortalecer a musculatura enrijecida como resguardar o controle da articulação verbal. “Irrequieto e criativo, Paulo prefere o lúdico à sisudez”, ressalta Célio. “Ele sempre inventa algo curioso para fugir do tédio durante as aulas.”

De fato: assistir à dinâmica entre o aluno e o professor é uma experiência engraçada. O artista desfila um arsenal de caretas, imita celebridades e pronuncia montes de “lalelilolu” ou “badebidebadebideba” à moda de um canastrão dramático. O ápice do “espetáculo” acontece quando Paulo, treinando a emissão do canto lírico, entoa o samba Desafinado com a ênfase (e o portunhol) de um tresloucado Plácido Domingo, o tenor madrilenho: “Se usted insiste em calificar / Mi comportamento de antimusical / Yo mismo mentindo devo argumentar /Que eso és Bossa Nueva, eso és mucho natural”.

O ator ainda utiliza a aula para se aproximar de Puro Sangue, o palhaço que interpretará no filme de Selton Mello. Encaixa os sapatões do clown nas mãos e improvisa uma dança com os calçados sobre o piano enquanto cantarola outro exercício: “Bombombombooom!”.

Toda vez que aceita um papel, o artista age assim — concebe o personagem gradativamente, em meio às tarefas costumeiras. “Dia desses, comprou uns anéis, um óculos de sol e uns colares dourados, misturou os adereços às roupas habituais e saiu pelas ruas. Foi à padaria, tomou um cafezinho, papeou com os conhecidos. Tateava a indumentária de Valdemar, o cigano que também representará no longa do Selton”, relembra a figurinista Kika Lopes, mulher de Paulo.

“O padre Antônio Vieira escreveu um troço que me comove à beça”, diz o ator. “É mais ou menos o seguinte: ‘Aqueles a quem Deus fez mudos, os fez igualmente surdos porque, caso ouvissem e não pudessem falar, arrebentariam de dor’. Eu ouço. Então, preciso falar. Daí o meu empenho em resistir às imposições do Parkinson. Terapias, ginástica, remédios, aulas, nada me incomoda tanto se receber como contrapartida a graça de permanecer ativo, de continuar me expressando.”

Admirador de Vieira, mas alheio às crenças religiosas, Paulo não enxerga razões metafísicas para a doença. Desígnio dos céus? Castigo? Uma bênção travestida de sofrimento? “Nenhuma das opções”, defende o artista. “A resposta, feliz ou infelizmente, está no acaso.”

(Revista Bravo, abril de 2010)