quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Controle do pensamento psíquico



Princípios:

Todo pensamento que você pensa é uma “energia psíquica”.
 Todo pensamento que você pensa afeta a sua saúde e felicidade.
Todo pensamento que você pensa é carregado em um nível psíquico.
 Todo pensamento que você pensa atrai seu semelhante em um nível psíquico.
 Todo pensamento que você pensa atrai tanto pessoas animadas quanto objetos inanimados.
Todo pensamento que você pensa entra em seu subconsciente ou mente subjetiva e, através da mente subconsciente, entra no reino psíquico.
Todo pensamento  que você pensa que é naturalmente positivo, atrai resultados positivos para a sua psiquê.
Todo pensamento que você pensa tem uma propriedade magnética no reino psíquico da mente —  sua mente é o ímã.
 Todo pensamento que você pensa de que está amando, atrai amor.
 Todo pensamento que você pensa de ser próspero, atrai prosperidade.
Todo pensamento que você pensa preenche a “atmosfera psíquica” de onde você trabalha ou
mora.
Por essa razão, pense positivo, tenha bons pensamentos.
 Todo pensamento que você pensa inicia-se fisicamente, e então retorna a você em manifestação física. Seja uma pessoa, coisa, condição ou circunstância. Por essa razão, conforme você escolhe os seus pensamentos, você escolhe a sua vida.
Todo pensamento que você pensa tem “força psíquica criativa”, seja para o bem ou para uma enfermidade.
Todo pensamento que você pensa fará de você um mestre ou um escravo da vida.
 Todo pensamento que você pensa é importante. Todos os pensamentos estão atraindo a sua natureza de volta para você, através da mente subjetiva, enquanto eles viajam pelo reino psíquico criativo.


Slow


Luci Afonso

O ambiente no ônibus era tenso. Tínhamos acordado de madrugada para chegar a Washington ainda de manhã. Todos estavam sonolentos e com fome, pois o breakfast seria servido num restaurante na primeira parada, após duas horas. Era domingo. Eu estava sozinha, num dia particularmente difícil. Minha prima, que me acompanhava, resolvera ir também de ônibus a um outlet em Nova Jersey para trocar o par de tênis da filha. Havíamos andado a cidade inteira atrás desse tênis. Ela não desistiu.
O guia, Antonio, estava pouco inspirado: sentou-se e não falou até chegarmos ao restaurante. Depois de comer, pareceu despertar e disparou a falar sobre os lugares por que passávamos. Estava muito, muito frio. Achei a cidade belíssima. Visitamos os pontos históricos, incluindo os memoriais de guerra, o Memorial de Lincoln, a Casa Branca e o Capitólio.
Antonio andava depressa, quase correndo, por causa do frio e do horário. O grupo tentava acompanhá-lo, e eu, claro, era sempre a última a descer e a subir novamente no ônibus. Eu calçava uma bota linda, mas pesada, que eu comprara no Brasil, e cujo zíper fechava só até a metade —não era defeito, era modelo. Isso a tornava ainda mais pesada e meu passo, mais lento.
Na segunda parada, ele pegou meu braço e me conduziu à frente do grupo:
— A senhora é mais lenta. Deixe-me ajudá-la.
Nas paradas seguintes, ele me esperava na porta do ônibus e me levava à frente do grupo até o local da visita. Outras pessoas tentaram me “ajudar”. Um jovem casal puxou o zíper da minha bota, pensando que ele fecharia inteiro. Um casal mais idoso certificava-se de que eu estava bem agasalhada a cada descida do ônibus.
Passei a me esconder no meio das pessoas para evitar a “ajuda”. Antonio desistiu e continuou seu trabalho. No final da tarde, chegamos muito atrasados ao Smithsonian Museum. Enfrentamos uma fila imensa. Ele pegou meu casaco e minha bolsa e se dirigiu ao segurança na entrada. Este não permitiu que ele pusesse meus objetos na esteira; teria que ser eu mesma.
— She’s slow (Ela é lenta.) — Antonio quis justificar, mas foi barrado pelo guarda. Contrariado, devolveu minhas coisas e voltou para seu lugar.
 Nosso guia repetiu o dia inteiro que eu era lenta. Por que não calei sua boca desde o início? Bastava dizer:
— Eu tenho Parkinson!
Não tive coragem. Tive medo de chamar ainda mais a atenção do grupo. Tive vergonha. Vontade de chorar. Minha acompanhante me abandonara para trocar um par de tênis vagabundo. Eu me sentia a pessoa mais insignificante do mundo. Eu tinha Parkinson. Eu estava sozinha. Por alguns momentos, me senti vítima do mundo, até que me levantei da poltrona do ônibus e disse a Antonio, de forma que os outros também ouvissem:
— Eu tenho Parkinson!
Ninguém falou mais durante o retorno.
O tênis que minha prima tentou trocar havia saído de linha. O frio de Washington me causou uma bronquite que durou meses após minha volta ao Brasil. Os guias turísticos continuam pegando no pé, ou no braço, de senhoras de meia-idade que andam devagar. A impaciência e o desrespeito chegam a vários graus abaixo de zero em todos os cantos do mundo.

Imagem: Arquivo pessoal

Amabilidade reduzida



Na semana passada, fui à formatura de um sobrinho num elegante clube de Brasília. Chegamos em cima da hora, e o salão estava lotado. As cadeiras vazias estavam “marcadas” por bolsas e casacos, como é o costume brasileiro. Depois de procurar inutilmente por dois lugares, decidi recorrer ao meu direito de Pessoa com Mobilidade Reduzida (PMR — abreviação minha) de ocupar poltronas preferenciais, junto com um cuidador.

É claro que enfrentamos olhares reprovadores. Na plateia, vi pessoas que não haviam utilizado o seu direito, entre elas, um homem com um tremor visível e um rapaz em cadeira de rodas, espremidos entre os convidados, quando poderiam estar sentados à frente, com mais espaço e conforto.

A lei brasileira equipara os direitos das pessoas com deficiência aos das pessoas com mobilidade reduzida e garante a ambos os grupos o atendimento prioritário. Nesse caso específico, os seguranças foram acolhedores e simpáticos, mas, como me lembrou hoje uma amiga, eles poderiam ter perguntado: “Onde está escrito?”. (Ao que eu responderia, de pronto, “Na Constituição Federal”.)

Senti-me culpada, durante todo o evento, por estar num local privilegiado, mesmo sabendo que é meu direito. A reprovação alheia reforçou minha autocondenação, trazendo desconforto e sofrimento desnecessários. Foi estressante tentar demonstrar minha mobilidade reduzida quando nos levantamos para cantar o Hino Nacional, por exemplo, como se eu tivesse de provar que não estava mentindo para poder me sentar na primeira fileira.

A conclusão é óbvia: para respeitar a mobilidade reduzida, precisamos ter a gentileza aumentada.


(Imagem: http://consumare.org/noticias/direitos-dos-cidadaos-mobilidade-reduzida/ )

Mantra da gratidão


(Autor desconhecido)

Obrigado à vida que me inspira, me renova e me dá chances de evoluir diariamente.
Obrigado ao lugar onde estou aqui e agora, pois esse lugar precisa de mim e eu dele.
Obrigado a todos os órgãos do meu corpo que funcionam em plena harmonia e perfeição.
Obrigado a casa onde moro, que me serve de refúgio e descanso.
Obrigado às oportunidades de trabalho, conquistas, sucesso e evolução que se abrem diante de mim diariamente.
Obrigado a cada dívida paga, porque dessa forma honro meu nome, honro meus compromissos e meu dinheiro se multiplica.
Obrigado a tudo aquilo que eu compro, adquiro, pois é fruto do meu trabalho.
Obrigado a todas as pessoas que cruzam meu caminho.
Obrigado às pessoas que me fizeram mal, porque assim desenvolvi força e coragem para seguir sempre adiante.
Obrigado às pessoas que me fizeram bem, porque assim me senti muito amado e abençoado.
Obrigado a todas as oportunidades de sucesso financeiro e pessoal que recebo, identifico e aceito.
Obrigado a mim mesmo que encontro a gratidão em todas as pessoas, coisas e fatos.
Obrigado ao Universo inteiro, que conspira a favor de cada pensamento meu, por isso escolho com cuidado tudo aquilo que penso, falo ou desejo.
Obrigado ao Deus maravilhoso que existe dentro de mim, sou parte de sua divindade e por isso espalho luz, amor e paz onde quer que eu esteja.
Gratidão, gratidão, gratidão.

domingo, 4 de agosto de 2013

Respire fundo




Algumas técnicas de respiração ajudam a acalmar a mente e o corpo, proporcionando bem-estar físico e emocional

Você já notou como a respiração está sempre em sintonia com as emoções? Nos momentos de medo e tensão, por exemplo, prendemos o ar nos pulmões e ficamos sem respirar. Já quando o estresse predomina, ela se torna difícil e pesada, angustiante. Por outro lado, ao respirar da forma correta você pode ajudar a controlar e aliviar as emoções, tranquilizando a mente e relaxando. Aprenda os exercícios, tire cinco minutinhos do seu dia para praticá-los e desfrute do bem-estar físico e emocional promovidos por eles!

- Acalme a mente

1- Tire os sapatos, afrouxe as roupas e sente-se ou deite-se confortavelmente, de barriga para cima. Feche os olhos e mantenha os braços relaxados, estendidos ao longo do corpo. Enquanto inspira lentamente pelo nariz, visualize seus pulmões enchendo-se de ar e se expandindo. Quando estiverem cheios, prenda a respiração por um instante antes de expirar devagar (também pelo nariz), esvaziando-os completamente. Repita este exercício oito vezes.
2- Agora, a inspiração deve ser mais curta (de dois a três segundos), e a expiração, mais lenta (por cerca de sete ou oito segundos). Concentre-se em manter o movimento do ar contínuo (não prenda a respiração entre os movimentos de inspirar e expirar). Faça este exercício oito vezes.

- Mude o movimento da respiração

Quando você enche o peito de ar, encolhendo a barriga, está usando apenas a musculatura do tórax. Esse é o tipo de respiração de quem está sob estresse ou pressão: a inspiração e a expiração ficam curtas e rápidas, entrando menos ar em cada movimento. O resultado é acúmulo de ar viciado, pobre em oxigênio, além de tensão muscular. Já a respiração diafragmática ocorre em situações de calma e, muito importante, é capaz de diminuir a reação de alarme. O diafragma é o músculo que separa o abdômen do tórax, e seu movimento pode ser facilmente controlado.

1- Deite-se, coloque uma das mãos sobre a barriga, logo acima do umbigo, e a outra no peito.
2- Inspire lentamente, procurando fazer de sua barriga um balão em expansão. A mão da barriga deve subir e a mão do tórax, se mexer muito pouco. Respire com calma, de maneira regular e suave.
3- Expire lentamente, mais ou menos na mesma velocidade com que inspirou. Deixe sair todo o ar. Se conseguir, fique um ou dois segundos sem respirar, com os pulmões vazios, antes de começar um novo ciclo.
4- Repita os movimentos de inspiração e expiração até que sinta a mente mais calma e tranquila.
5- Quando estiver dominando a técnica, você conseguirá desencadear a respiração abdominal quando precisar. Passe a empregá-la em situações de tensão. Pode ser no meio de uma reunião (ninguém vai notar) ou no carro, no meio do trânsito.


quinta-feira, 4 de julho de 2013

Body Talk




Imagine que o seu corpo seja um circuito elétrico (bastante complexo!). Existem muitos fusíveis distribuídos por todas as correntes ou linhas de eletricidade nesse circuito. Muita energia estoura fusíveis, e com isso há um corte de comunicação ou eletricidade no circuito.
No corpo humano, stress causa o estouro de nossos "fusíveis" internos, bloqueando o fluxo de comunicação em sistemas do corpo. O Body Talk encontra o que está bloqueando as linhas de comunicação do seu corpo para que ele possa restabelecer seu equilíbrio e saúde.

O que é Body Talk e como funciona?

Body Talk é baseado no princípio de que o seu corpo tem toda a sabedoria e capacidade para se curar.

Então, porque ficamos doentes ou fora de equilíbrio?

O corpo pode se curar e manter excelente estado de saúde quando suas linhas internas de comunicação estão intactas. O que acontece é que stress, seja físico (acidentes, pancadas, etc.), ambiental (poluentes, químicos, vacinas, medicamentos, campos eletromagnéticos, etc.), emocional, psicológico, ou espiritual, interfere e bloqueia essas linhas internas de comunicação do corpo. Desta forma, o corpo não é capaz de compreender claramente o que realmente está ocorrendo e perde sua eficiência em restabelecer seu equilíbrio e curar processos de doença.

Como o Body Talk pode ajudar?

Com o Body Talk, nós encontramos o que está bloqueando as linhas internas de comunicação do seu corpo e equilibramos esses fatores para que o seu corpo possa se curar. Body Talk tem criado resultados incríveis em diversos tipos de desequilíbrios físicos (dor crônica, reabilitação, diabetes, distúrbios hormonais, problemas respiratórios, cardiovasculares, digestivos e imunológicos), emocionais e psicológicos (depressão, falta de energia e motivação, vícios). O Body Talk trabalha todos os níveis de energia do corpo-mente, sendo muito utilizado para crescimento pessoal e espiritual.

O que devo esperar de uma sessão de Body Talk?

As sessões são geralmente facilitadas em uma cama de massagem, onde o cliente tem a oportunidade de entrar em um estado de profundo relaxamento. O terapeuta do Body Talk segura a mão do cliente e cria um sistema de comunicação com a sabedoria inata do corpo do cliente, através de uma forma de kinesiologia aplicada. Desta forma, o terapeuta recebe informação acerca dos fatores que devem ser equilibrados, e em que ordem para que o corpo do cliente possa funcionar com mais equilíbrio e saúde. Essa forma integrativa de cuidado da saúde equilibra causas físicas, emocionais, psicológicas e espirituais que estão por trás do processo de doença.

            http://www.ocbodytalk.com/tecnicacortices.html

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Esta primavera


 

Luci Afonso

Esta primavera vou ficar em casa.

Deitada no sofá, ouço o grito suicida das cigarras. Debruçada na varanda, recolho pingos frescos de chuva, os primeiros e os últimos. À noite, a lua atravessa a persiana do quarto e ilumina meu corpo, enrodilhado no lençol de quinhentos fios egípcios.

Companhia, só quero a do filho, da mãe e do gato, prolongamentos espontâneos de mim. Vozes, somente a dos fantasmas queridos, das crianças bem pequenas ou dos velhinhos solitários. Carícias, apenas a do vento que gentilmente me refresca o rosto.

Os homens não me olhem: estou feia. Os amigos não me procurem: estou ausente. Para quê encontrar pessoas? Já conheci todas que posso suportar.

Não preciso de fatos — o mundo gira sem mim. Só me interessam a folha caída na grama e o poema sussurrado pela árvore antiga.

Desvaneço nesta primavera invertida. Embrenho-me na profundidade escura da terra para implodir meu canto, até que a morte branca do ipê venha me nutrir de seiva bruta para a próxima estação.  

                                               Outubro de 2010

Tudo sofre ao meu redor



Luci Afonso

Tudo sofre ao meu redor.
O cãozinho que atravessa a rua com o dono.
A velha que compra a máscara antirrugas.
O jovem que ri alheio aos perigos da alegria.
Meu sorriso pouco e falso.

A mensagem mais corriqueira me parece aviso dos anjos.
Será que vou morrer e já me despeço?
Estou só alma.
 Maio de 2012

Droga de bom!



Luci Afonso

— Exercício físico é muito bom — diz a Dra. Gladys, depois de conferir meus recentes exames de laboratório. Os níveis de colesterol estão desregulados: o bom está baixo, o ruim está alto e o total está 50 pontos acima do normal. Além disso, a medição da cintura revela que estou na faixa de risco de ataque cardíaco fulminante.
— Experimente caminhar — ela sugere, como vem fazendo há quinze anos.
Devido à prática regular de esportes, a Dra. Gladys tem a silhueta enxuta, a pele fresca, excelente disposição e flexibilidade invejável — ela se abaixa para pegar remédios sem nenhum estalo de ossos e se ergue com a mesma agilidade. (Quando me agacho por qualquer motivo, as juntas estalam em sinfonia e travam em seguida, obrigando-me a pedir ajuda para levantar.)
Preciso perder, no mínimo, quinze quilos. Chega de pizza napolitana grande e guaraná de dois litros! Adeus, Big Tasty e torta de maçã do McDonalds! Adeus, quatro unidades de banana caramelada no China in Box! Bem-vindas, folhas de alface crespa do Verdurão! Bem-vindo, pão integral doze grãos 120 calorias!
Chega de sedentarismo! Não posso adiar mais: na sexta-feira de sol, dirijo-me ao Parque Olhos Dágua para a primeira caminhada do resto da minha vida.
— Quão motivada você está? — pergunta meu filho.
— Motivadíssima!
— Hum...
Caminho duas superquadras até o parque e escolho o percurso à direita. Logo de início, tento seguir o ritmo vigoroso das pessoas que passam conversando, a respiração tranquila como se estivessem dormindo. Balanço os braços com ímpeto, imitando os atletas que parecem experientes.
Muita gente me observa. Talvez por eu ser estranha no local, talvez pelas bermudas pregueadas, que parecem uma saia balonê, ou pelo tênis velho, a sola do pé esquerdo desmilinguida. Encaro todo mundo com firmeza e com um leve sorriso, como uma frequentadora assídua.
Tudo vai bem até que começam as subidas. Venço a primeira, a segunda, a terceira, sempre mentalizando a queima do colesterol. Na quarta, as pernas já não obedecem, e começo a cambalear. Paro, a camiseta encharcada de suor, a respiração ofegante, a boca seca, e finjo que estou me alongando.
— Ânimo, filha! — diz o senhor em ótima forma, cabelos em neve.
— Coragem, tia! — incentiva o jovem que rebola a passos largos no short apertadinho.
— Quer que a gente chame o socorrista, vó? — oferecem duas simpáticas adolescentes, que flutuam leves como garças.
Prefiro ignorar as manifestações de solidariedade esportiva. Respiro fundo, volto num ritmo mais lento, esgueiro-me até o portão e me arrasto até em casa.
— Já?
— Quanto tempo eu andei?
— Trinta minutos.
Impossível! Pareceram duas horas.
— Quão cansada você está?
— Cansadíssima!
— Bem, é que, na verdade, você ficou de completar com a esteira.
— Depois eu faço.
— E o pilates?
— Amanhã.
— Hum...
Desabo na cama, sem coragem de tomar banho. Penso com desespero na próxima caminhada. Antes de desmaiar pelo cansaço, tento me lembrar das sábias palavras da médica: exercício físico é muito bom, exercício físico é muito bom, exercício físico é...! (Se não funcionar, já me preveni: vou tomar o seca-barriga indicado pela moça do Verdurão.)               
                                                                
   Março de 2013


A velhinha trêmula



Luci Afonso

Dona Flor desce do carro com o auxílio do motorista e da cuidadora. Está atrasada. Caminha a passos de bebê até a porta, cumprimenta todas num fiapo de voz e é instalada na cadeira mais próxima do lavatório.
As meninas estão a postos.
— Tratamento completo hoje, Dona Flor? — pergunta Marijô.
— Sim, por favor, querida. Mais a hidraaaatação.
— A raiz tá grande, né?
— É, minha filha, faaaalta de tempo.
— Loira ou morena?
— Loiiiiríssima.
— Tem festa hoje?
— Não, só manuuuutenção.
Dona Flor empaca nas vogais. As meninas já estão acostumadas.
Os cabelos são ralos como os de uma jovem espiga de milho. No alto da cabeça, um pequeno espaço descoberto, que Marijô disfarça penteando os fios de lado.
— Vai pintar a unha, Dona Flor? – Sônia se aproxima com os apetrechos de manicure.
— Sim. Tem o Deeeeesejo?
— Novinho!
Ela estende as mãos:
— Desculpe, estou treeemendo um pouco hoje.
— Tudo bem. É bom que dá uma sacudidinha — brinca Sônia.
A pedicure traz a bacia com água morna.
— E o pé, a senhora vai pintar? — pergunta Edileusa.
— Claro, querida, Deeeeesejo! Falar nisso, cheeeegou meu creme, Rose?
— Qual é mesmo? — quer saber a dona do salão.
— Reeeenew intensive. O meu está quase acabando.
— Mando levar assim que chegar.
— Ele é muiiiito bom — ela se examina no espelho. Não há mais espaço para rugas, mas elas estão lisinhas, como se tivessem sido engomadas a ferro.
— Hora dos remédios — lembra a cuidadora.
— Que saco essa remedaiada! Me dá a baaaaaanana.
Ela só consegue engolir a dezena de comprimidos que toma diariamente junto com pedaços de banana. A cada comprimido, faz uma pausa dramática e uma careta.
— É triste fiiiiicar velha, minha filha. É uma doençada que a gente descoooobre...
Dona Flor Prazeres dos Santos tem oitenta anos supervividos. Frequenta o Rose Cabeleireiros há pelo menos duas décadas, quando ainda não tinha o Parkinson. Nesse período, perdeu parte dos movimentos, teve de acostumar-se com o tremor, com a dificuldade na fala e na deglutição.
A vaidade, porém, permaneceu intacta. Na agenda cheia, a manhã de sexta é reservada para cuidados com a beleza. Os outros dias ela dedica aos cuidados com a saúde, à ginástica para idosos no parque, a reuniões dos grupos literários e comunitários de que participa e a providências diversas. Na maturidade, publicou alguns livros que não conseguiu vender e que ainda distribui aos amigos ou dá como presentes de Natal (faltam apenas quatro caixas, com cem livros cada uma). Ainda gosta muito de ler, mas já não escreve.
À noite, Dona Flor não perde o Jornal Nacional. Depois, entra no Facebook, onde tem 231 amigos. Gosta de atualizar seu perfil com fotos tiradas pela neta. Curte, compartilha e, às vezes, posta alguma reflexão sobre a vida, geralmente tirada dos livros. Só não tem paciência com jogos idiotas.
Bom mesmo é o sábado, que passa com a única neta, agora com 22 anos. É verdade que ultimamente ela traz o chato do namorado, mas Dona Flor não deixa que ele estrague o dia. Simplesmente o ignora, enquanto discute com a neta as notícias da semana.
— E a Dilma, que vaaaaia, hein? E a maniiiiifestação, você não está indo, né, filha? E o Neymar, de beeeesta só tem a cara!
No domingo... Bem, no domingo, Dona Flor descansa porque já não tem idade nem saúde para fazer extravagâncias.                                                          
Junho de 2013

Ando esquecendo as palavras



Luci Afonso

Ando esquecendo as palavras. Ontem, em meio a uma onda de calor, procurei aquele objeto feito de varetas e de papel fino, geralmente rendado, que as damas usavam para se refrescar no século XIX. Encontrei-o numa prateleira, meio escondido entre os livros. Abanei-me longo tempo antes de lembrar como se chamava.
No Verdurão, esqueci o endereço para mandar entregar as compras. Era 210 ou 211? Apartamento no quarto andar, que número? Do telefone de casa, só sabia o prefixo. Ao preencher o cheque, forcei a memória antes de perguntar à moça do caixa em que ano estávamos. Pedi à empregada que cozinhasse  aquele tubérculo cor de vinho, meio duro, e o servisse em rodelas, junto com a salada. Ela entendeu perfeitamente.
Em conversas com amigos, com frequência interrompo o falante para dizer o que estou pensando, porque no minuto seguinte terei esquecido. Depois lembro de novo, mas o assunto já é outro. É assim: lembro, esqueço, lembro, esqueço, esqueço.
Parei de escrever. Redigi uma mensagem de despedida para meu blog e cogitei tirá-lo do ar. Logo comecei a ter aquela sensação esquisita, aquela agonia que dá a gente não sabe por quê. Um peso no peito, um cansaço nos ombros. Consultei o cardiologista, que ouviu atentamente a descrição dos sintomas. Dei sorte em encontrar um médico com capacidade de abstração. Ele diagnosticou com facilidade a síndrome da abstinência de palavras, muito comum em determinados grupos de risco, e prescreveu o remédio mais eficaz: um parágrafo três vezes ao dia, de início, com aumento gradativo da dose até alcançar a melhora desejada.
O tratamento começa a surtir efeito. Neste domingo, acordei com vontade de escrever e corri para o computador, com medo de esquecer a vontade. Lembrei das pessoas que precisam do que eu digo. Aconteceu também de ler as palavras de uma amiga, saídas daquele órgão que bate sem parar e bombeia sangue para o corpo. As palavras dela despertaram as minhas, e por isso estou aqui.
Acontece de repente, igual a quando a gente reencontra o que havia perdido, ou igual a quando o sol da manhã invade o apartamento que acabou de acordar. Daqui a pouco lembro o nome dessa coisa boa, que só a palavra me dá.

                                                                                              Junho de 2013

             Imagem:      http://projetandopessoas.blogspot.com.br/2013/01/rigidez-x-firmeza.html